Partindo
Triste, por te deixar, de manhãzinha Desci ao porto. E logo, asas ao vento, Fomos singrando, sob um céu cinzento, Como, num ar de chuva, uma andorinha.
Olhos na Ilha eu vi, amiga minha, A pouco e pouco, num decrescimento, Fugir o Lar, perder-se num momento A montanha em que o nosso amor se aninha.
Nada pergunto; nem quero saber Aonde vou: se voltarei sequer; Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera.
Apenas sei, ó minha Primavera, Que tu me ficas lagrimosa e triste, E que sem ti a Luz já não existe.
Eugénio Tavares, Poesia Contos Teatro, Biblioteca Nacional de Cabo Verde, 2.ª edição, p.13
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1. Explique os seguintes passos do Texto B:
(a) “Desci ao porto. E logo, asas ao vento [...] ” (v.2)
(b) “Olhos na Ilha eu vi, amiga minha/ A pouco e pouco, num decrescimento [...] ” (vv.5 e 6)
2. Mostre que a hipérbole é um recurso que consolida a mensagem do sujeito poético neste passo: “E que sem ti a Luz já não existe”.
3. Evidencie o valor da dupla adjetivação no segundo verso da última estrofe.
4. Reflita sobre o uso do gerúndio no título, no soneto de Eugénio Tavares.
Visamar - Roteiros para a Leitura da Obra de Eugénio Tavares| Coordenação: Camões, I.P.| Mariana Faria| 2019
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